O atleta morreu afogado em janeiro de 2023. A fundação vai atender crianças e jovens da Bahia e do litoral de São Paulo por meio de projetos culturais, esportivos e ambientais.
Foto Morto em 2023, aos 47 anos, o surfista Márcio Freire ganha homenagem com uma fundação que leva seu nome, cujo objetivo é levar programas sociais a crianças e jovens de renda baixa Arquivo pessoal
Referência no surf mundial, morto em janeiro de 2023 durante uma disputa nas ondas gigantes de Nazaré, em Portugal, Márcio Freire está sendo homenageado com uma fundação que leva o seu nome. O objetivo da instituição é atender jovens de baixa renda da Bahia, estado natal do atleta, e do litoral de São Paulo por meio de projetos sociais, culturais, esportivos e ambientais.
O lançamento oficial da Fundação Márcio Freire ocorreu em 2 de dezembro, em Salvador, capital baiana, e, segundo o irmão do surfista, o advogado Bruno Freire, presidente do Conselho Curador da instituição, o objetivo é manter vivo o legado do atleta, que se tornou uma lenda ao encarar os “paredões” de água que desafiam os maiores profissionais das pranchas.
A súbita morte de Márcio Freire, aos 47 anos, deixou o mundo do surf em luto. Ele era um dos pioneiros na disputa dos “canhões” de Nazaré. À época, informou o comandante da Capitania de Nazaré, Mário Lopes Figueiredo, o brasileiro, mesmo sendo um atleta experiente, não resistiu ao ser atingido por uma onda de cerca de seis metros. Foi a primeira morte ligada ao surf registrada em Nazaré.
Curta e livro
De acordo com o irmão do surfista, a fundação estará voltada para a preservação e a expansão dos “valores que marcaram a trajetória do atleta: coragem, coletividade, respeito ao oceano e amor pelo esporte”. Na fase inicial, os projetos serão direcionados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade da região metropolitana de Salvador e do litoral de São Paulo, com foco na educação oceânica, no acesso ao esporte e no fortalecimento de vínculos com o mar.
Os primeiros projetos da fundação foram apresentados pelo presidente da instituição, Paulo Marcus, e pelo campeão mundial de ondas gigantes Danilo Couto, que integrou o lendário trio “Mad Dogs”, ao lado de Márcio e Yuri Soledade. O trio foi responsável por colocar o Brasil no mapa das ondas gigantes ao ganhar projeção mundial em Jaws (Havaí) e Nazaré.
Tudo começou em 2007, quando Márcio, Danilo e Yuri decidiram encarar as ondas gigantes confiando apenas na habilidade em cima da prancha e se valendo das remadas que os levavam até as ondas. Com o tempo, a prática do trio foi se popularizando, mas a segurança se tornou uma regra e os surfistas passaram a ser levados até os tubos de jet skis.
Além da fundação que leva seu nome, o surfista terá a vida retratada no curta-metragem Márcio Freire: Legends Never Die, dirigido por Bruno Lemos. Já o livro Márcio Freire: Vida, Sonhos, Surf e Legado, ganhará uma nova edição. Segundo a mãe do atleta, Dione Freire, uma das autoras, a obra foi “uma tentativa de amenizar a saudade quando o filho se mudou para o Havaí”, em 1998, aos 23 anos.
Notícia publicada no Jornal Publico, de Portugal, em 10/12/2025


