{"id":748,"date":"2025-03-13T16:47:18","date_gmt":"2025-03-13T19:47:18","guid":{"rendered":"https:\/\/silvanadeolinda.com.br\/?p=748"},"modified":"2025-04-02T17:07:04","modified_gmt":"2025-04-02T20:07:04","slug":"muito-alem-de-um-grupo-de-cyberbullying-no-whatsapp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/silvanadeolinda.com.br\/index.php\/2025\/03\/13\/muito-alem-de-um-grupo-de-cyberbullying-no-whatsapp\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m de um grupo de cyberbullying no WhatsApp"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O modelo de masculinidade hegem\u00f4nica tem a viol\u00eancia como rito de pertencimento. Como a educa\u00e7\u00e3o pode quebrar esse ciclo para as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/politicas-e-justica\/\">Pol\u00edticas e Justi\u00e7a<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Editado por Michael Fran\u00e7a, escrito por acad\u00eamicos, gestores e formadores de opini\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Por <strong>Amanda Sadalla <\/strong>&#8211; \u00c9 cofundadora da Serenas e mestre em pol\u00edticas p\u00fablicas pela Blavatnik School of Government, da Universidade de Oxford (Inglaterra)<\/p>\n\n\n\n<p>A recente not\u00edcia de que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2025\/01\/colegio-santa-cruz-em-sp-suspende-34-alunos-acusados-de-bullying.shtml\">Col\u00e9gio Santa Cruz suspendeu 34 alunos<\/a>&nbsp;do ensino m\u00e9dio acusados de administrar um grupo de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/whatsapp\/\">WhatsApp<\/a>&nbsp;que promovia&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/racismo\/\">racismo<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/homofobia\/\">homofobia<\/a>&nbsp;e misoginia contra calouros chamou a aten\u00e7\u00e3o. Segundo reportagens, o grupo era utilizado por meninos mais velhos para praticar&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/bullying\/\">bullying<\/a>, amea\u00e7as e incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia sexual contra outros alunos mais novos. Esse caso deixou evidente uma das pautas centrais do trabalho da Serenas, uma organiza\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher: os estere\u00f3tipos de g\u00eanero n\u00e3o impactam apenas as meninas, mas tamb\u00e9m os pr\u00f3prios meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se engana quem pensa que esse \u00e9 um caso isolado. Ele \u00e9 a ponta de um iceberg que sustenta valores profundamente enraizados na cultura e na socializa\u00e7\u00e3o masculina, onde meninos s\u00e3o incentivados a competir agressivamente e a construir sua identidade pela domina\u00e7\u00e3o e humilha\u00e7\u00e3o de outros. A masculinidade hegem\u00f4nica ensina que ser homem \u00e9 afirmar poder sobre os demais \u2013mulheres, aqueles que n\u00e3o se encaixam nos padr\u00f5es tradicionais de masculinidade ou est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de menos poder. Nessa l\u00f3gica, humilhar o outro valida o pertencimento ao grupo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/f.i.uol.com.br\/fotografia\/2025\/03\/12\/174179157067d1a15254bd2_1741791570_3x2_md.jpg\" alt=\"A imagem mostra uma jovem mulher sorrindo, vestindo uma camiseta preta com a palavra 'serenas' escrita em branco. Ela est\u00e1 sentada em um ambiente interno, com uma estrutura arquitet\u00f4nica vis\u00edvel ao fundo. A ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 suave, destacando seu sorriso e a express\u00e3o amig\u00e1vel.\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Amanda Sadalla \u00e9 cofundadora da Serenas, organiza\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres, e mestre em pol\u00edticas p\u00fablicas pela Blavatnik School of Government, da Universidade de Oxford (Inglaterra) &#8211;&nbsp;Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo as escolas mais progressistas n\u00e3o est\u00e3o isentas desse tipo de situa\u00e7\u00e3o. Frequentemente, sou procurada por col\u00e9gios que se veem de m\u00e3os atadas diante de epis\u00f3dios similares. Nas escolas particulares a situa\u00e7\u00e3o me parece ainda mais preocupante, pois estamos lidando com uma gera\u00e7\u00e3o de jovens criados em meio ao privil\u00e9gio. Muitos desses meninos crescem acreditando que est\u00e3o destinados a ocupar posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e que o mundo lhes pertence (uma ideia que, sem a devida&nbsp;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/educacao\/\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;para a equidade, refor\u00e7a a cren\u00e7a de que podem agir sem consequ\u00eancias).<\/p>\n\n\n\n<p>Meninos n\u00e3o nascem machistas e homof\u00f3bicos, mas aprendem desde cedo que para serem aceitos precisam se adequar a rituais de masculinidade que envolvem a domina\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia. Nesse modelo, desqualificar e agredir outros meninos e as mulheres torna-se um meio de consolidar a pr\u00f3pria masculinidade. O problema \u00e9 que, enquanto continuarmos tratando casos de bullying \u2014e, neste caso, de cyberbullying\u2014, como fen\u00f4menos isolados, sem considerar os marcadores sociais de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe que os atravessam, esses padr\u00f5es seguir\u00e3o sendo normalizados e continuar\u00e3o a perpetuar futuras viol\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>O ambiente escolar \u00e9 um dos poucos espa\u00e7os onde todos os meninos e meninas passam pelo menos uma d\u00e9cada de suas vidas, e, ainda assim, a educa\u00e7\u00e3o para a equidade de g\u00eanero e a promo\u00e7\u00e3o de masculinidades saud\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o priorizadas. Para mudar esse cen\u00e1rio, o curr\u00edculo escolar deve incluir o ensino de habilidades socioemocionais, permitindo que crian\u00e7as e adolescentes, especialmente os meninos, desenvolvam rela\u00e7\u00f5es respeitosas e saud\u00e1veis consigo mesmos e com os outros. Falar sobre consentimento, autoconhecimento, emo\u00e7\u00f5es e sexualidade saud\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 um luxo, mas uma necessidade urgente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se queremos romper com os ciclos de viol\u00eancia, n\u00e3o podemos esperar. A escola \u00e9 um dos espa\u00e7os mais poderosos para transformar essa realidade, formando novas gera\u00e7\u00f5es que rompam com padr\u00f5es e aprendam a construir rela\u00e7\u00f5es baseadas no respeito, na empatia e na equidade. Que tipo de sociedade queremos no futuro? A resposta est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o que oferecemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O editor, Michael Fran\u00e7a, pede para que cada participante do espa\u00e7o &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/politicas-e-justica\/\">Pol\u00edticas e Justi\u00e7a<\/a>&#8221; da&nbsp;<strong>Folha<\/strong>&nbsp;sugira uma m\u00fasica aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Amanda Sadalla foi &#8220;Tudo pra ontem&#8221;, de Emicida.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Emicida - E\u0301 tudo pra ontem part. Gilberto Gil\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qbQC60p5eZk?start=265&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" style=\"font-size:18px\">Artigo publicado no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/politicas-e-justica\/2025\/03\/muito-alem-de-um-grupo-de-cyberbullying-no-whatsapp.shtml\" title=\"\">Blog Pol\u00edticas e Justi\u00e7a<\/a> em 13\/03\/2025<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"457\" height=\"96\" src=\"https:\/\/silvanadeolinda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/logo-folha.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-752\" style=\"width:308px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/silvanadeolinda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/logo-folha.png 457w, https:\/\/silvanadeolinda.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/logo-folha-300x63.png 300w\" sizes=\"(max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo de masculinidade hegem\u00f4nica tem a viol\u00eancia como rito de pertencimento. 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